O diretor executivo da Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI), Davi Uemoto, participa nesta semana da Citecsa 2026 (I Cumbre Iberoamericana de la Industria de Tecnología Sanitaria), realizada nos dias 13 e 14 de maio, em Madri, na Espanha. O evento é promovido pela Fenin (Federación Española de Empresas de Tecnología Sanitaria) e reúne lideranças e representantes da indústria de tecnologia em saúde de diversos países para discutir os desafios e o futuro do setor.
Convidado pela Fenin, Davi Uemoto integrou a mesa de debates “Prioridades y retos de la industria de tecnología sanitaria en Iberoamérica”, ao lado de representantes de entidades coirmãs da América Latina e da Espanha, como a AMID, do México, a ANDI, da Colômbia, a APIS, do Chile, e a CAPRODI, da Argentina.
Durante a apresentação, o diretor executivo da ABRAIDI destacou a dimensão e a representatividade da Associação no mercado brasileiro de dispositivos médicos, além de abordar os principais desafios enfrentados atualmente pelas empresas do setor no país. Entre os temas apresentados estiveram as distorções setoriais, como retenções de faturamento, glosas injustificadas e a inadimplência, fatores que impactam diretamente a sustentabilidade das empresas e a previsibilidade do mercado. Davi Uemoto ressaltou as iniciativas conduzidas pela ABRAIDI para mitigar esses problemas, fortalecendo o diálogo institucional com hospitais, operadoras e demais fontes pagadoras, em busca de relações comerciais mais éticas e transparentes para toda a cadeia.
“Importante destacar que os desafios enfrentados pelos países da América Latina, e até mesmo pela Espanha, são bastante semelhantes aos do Brasil. Durante os debates, representantes das entidades comentaram sobre os prazos dilatados de pagamento, especialmente em mercados nos quais o principal cliente é o setor público. Apesar das particularidades de cada país, a inadimplência e a demora nos repasses apareceram como preocupações comuns”, relatou Davi Uemoto.
Segundo diretor da ABRAIDI, outro ponto levantado foi a necessidade de uma agenda específica voltada ao setor de dispositivos médicos. “As políticas públicas na área da saúde costumam ser historicamente direcionadas ao mercado farmacêutico, enquanto o segmento de tecnologia médica ainda busca maior protagonismo nas discussões regulatórias e estratégicas”, contou Davi Uemoto conforme o depoimento dos executivos das demais associações.
O debate ainda tratou de impostos e o representante da ABRAIDI abordou o cenário da reforma tributária brasileira e os possíveis impactos para o setor. “O modelo espanhol trabalha com um IVA em torno de 10%, o México 16% sem redução para o setor de dispositivos médicos, enquanto no Brasil a expectativa é de implementação de um IVA cuja alíquota estimada pode chegar a aproximadamente 30%”, contextualizou.
Os representantes internacionais discutiram iniciativas voltadas à industrialização e ao fortalecimento das cadeias produtivas locais, tema que ganhou força após a pandemia de Covid-19 e passou a integrar as prioridades estratégicas de diversos países. Além disso, foi reforçada a importância da colaboração global e da construção de parcerias entre as nações ibero-americanas para enfrentar desafios comuns e ampliar o acesso à inovação em saúde.
A Citecsa tem se consolidado como uma importante plataforma internacional para debater a modernização dos sistemas de saúde por meio da incorporação tecnológica, da ampliação do acesso à inovação, da atualização regulatória e da sustentabilidade financeira do setor. A programação também aborda temas como digitalização, inteligência artificial aplicada à saúde e eficiência dos sistemas assistenciais no cenário pós-pandemia.









