ABRAIDI destaca distorções no ciclo de fornecimento de produtos para saúde e lança 9ª edição do Anuário setorial.

A Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde (ABRAIDI) realizou, em 28 de abril, de forma on-line, o lançamento da 9ª edição do Anuário ABRAIDI – “O ciclo de fornecimento de produtos para saúde no Brasil”, publicação que reúne dados estratégicos e traça um panorama atualizado do setor de dispositivos médicos no país.

A abertura do evento foi conduzida pelo presidente da ABRAIDI, Sérgio Rocha, que deu as boas-vindas aos participantes e destacou que este será seu último ano à frente da entidade. Em junho, ele passará a presidência para Ronaldo Sampaio, eleito para o próximo mandato. Sérgio agradeceu os nove anos de atuação à frente da associação e ressaltou o compromisso de seguir apoiando a nova gestão. “Foram anos de muito trabalho em prol do fortalecimento do setor. Tenho certeza de que Ronaldo e o novo conselho darão continuidade a esse trabalho e terão todo o meu apoio nessa transição”, afirmou.

Na sequência, o diretor executivo da ABRAIDI, Davi Uemoto, agradeceu a contribuição de Sérgio Rocha ao longo dos últimos anos e reforçou a importância do Anuário como ferramenta estratégica para o setor. “O Anuário foi criado há nove anos com o objetivo de trazer dados setoriais e construir um panorama consistente do segmento de dispositivos médicos no Brasil. O papel da ABRAIDI é justamente contribuir para o fortalecimento da tecnologia médica no país, com informação qualificada e diálogo com toda a cadeia”, destacou.

Segundo Davi, no mercado público há forte participação das associadas especialmente na cardiologia, além de presença relevante em áreas como ortopedia, neurologia, bucomaxilofacial e expansão crescente em diversas especialidades médicas. Já no mercado privado, ele ressaltou a importância da relação com as fontes pagadoras, como operadoras de saúde e hospitais, que impactam diretamente a sustentabilidade do setor.

Durante a apresentação dos dados da pesquisa anual, Davi chamou atenção para graves e sistemáticas distorções no ciclo de fornecimento de produtos para saúde. O levantamento apontou que o montante de pagamentos pendentes ou não realizados por clientes, planos de saúde e hospitais chegou a R$ 5,787 bilhões, o maior valor da série histórica desde o início da pesquisa, em 2017. Esse cenário levou 64% das empresas a recorrerem a empréstimos bancários para honrar compromissos regulares, uma vez que a postergação dos recebimentos comprometeu, em média, 36% do faturamento das companhias.

Os R$ 5,787 bilhões identificados estão divididos em três principais distorções setoriais: R$ 2,077 bilhões relacionados à retenção de faturamento, quando a fonte pagadora não permite a emissão da ordem de compra após uma cirurgia previamente autorizada; R$ 167,17 milhões referentes a glosas injustificadas, quando há negativado pagamento mesmo com autorização prévia; e R$ 3,543 bilhões em inadimplência.

No caso da retenção de faturamento, planos de saúde e hospitais impuseram prazo médio de 170 dias para autorizar a emissão da nota fiscal e do boleto. Já em relação às glosas, 74% das empresas relataram enfrentar algum nível de contestação, sendo que 35% das contas suspensas já haviam sido previamente aprovadas. Na inadimplência, o cenário também preocupa. Segundo Davi, muitas fontes pagadoras têm exigido descontos agressivos para liberação dos pagamentos, em alguns casos chegando a 80%. Empresas que não aceitam essas condições acabam sofrendo retaliações, com corte no fornecimento, prática que ele classificou como uma “tesoura econômica”.

“Não somos contra a auditoria, mas somos críticos à falta de transparência. Não sabemos onde os processos de pagamento estão parados, e isso gera todas essas distorções. Não temos transparência nem previsibilidade, nem uma data limite para o fechamento da compra. Temos muitas contas ainda abertas de anos anteriores, inclusive casos de 2021”, ressaltou. Ele também destacou a necessidade de cumprimento das obrigações fiscais. “As empresas estão faturando com base em evidências para não correrem riscos de natureza fiscal. É preciso respeitar o Ajuste Sinief e, com isso, existe um prazo determinado para emissão da nota fiscal de venda”, completou.

Ao encerrar sua participação, Davi definiu o atual cenário como uma “tempestade perfeita” enfrentada pelas associadas. “Temos um dinheiro a receber e não recebemos, precisamos honrar compromissos, temos obrigações fiscais e queremos investir em novas linhas de produtos, mas não temos recursos por conta da falta de pagamentos. Estamos expostos a várias vulnerabilidades. Apenas 30% das relações desse mercado são contratualizadas e, sem contrato, tudo fica muito subjetivo. Queremos ser propositivos e construir um mapa do faturamento para saber como receber de forma mais célere e clara”, finalizou.

Assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=6wG732MQTIg
Baixe o anuário ABRAIDI 2026: https://abraidi.com.br/informe-se-anuarios-abraidi/#2026

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