Painéis em evento da ABRAIDI reforçam urgência de soluções coletivas para garantir sustentabilidade e integridade no setor de saúde.

A ABRAIDI – Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde, promoveu um debate sobre “O ciclo de fornecimento de produtos para saúde no Brasil” que marcou o lançamento da 9ª edição do Anuário ABRAIDI, em 28 de abril. Dois painéis aprofundaram temas centrais para a sustentabilidade do setor, como acesso ao mercado, compliance sistêmico, integridade da cadeia de valor e os impactos da verticalização na saúde suplementar.

Na abertura, o diretor executivo da ABRAIDI, Davi Uemoto, apresentou detalhes sobre o 1º Congresso de Tecnologia Médica (TecMed), evento que a entidade está organizando para consolidar uma agenda estratégica para o setor de dispositivos médicos no Brasil. Segundo ele, o objetivo é colocar no centro do debate a essência da atividade das associadas: levar ao mercado tecnologia de ponta embarcada nos produtos para saúde. “Iremos apresentar informação de qualidade para os setores público, privado e também para a população. Estamos construindo o evento em três pilares: regulatório; acesso ao mercado e incorporação de tecnologia; e gestão e competitividade, além de um pilar extra voltado ao capital intelectual, para que possamos atrair mais talentos para esse setor”, explicou.

Davi também chamou atenção para os desafios enfrentados pelas empresas nos portais de compras criados para organizar os processos de aquisição de hospitais e operadoras de saúde. Embora tenham sido desenvolvidos para trazer mais eficiência, ele destacou que esses sistemas ainda apresentam falhas importantes para os fornecedores. “A informação dentro do portal fica fragmentada. Os fornecedores não têm acesso a muitos dados, como o fluxo dos pagamentos. As associadas pagam para estar nesses portais, mas é preciso que eles atendam todo o sistema de saúde. A demanda da ABRAIDI precisa ser ouvida para buscarmos soluções e não ampliarmos ainda mais as distorções”, afirmou.

Compliance sistêmico e controle mútuo

O painel seguinte abordou o tema “Compliance sistêmico: o controle mútuo como garantia de integridade e sustentabilidade”, reunindo representantes de diferentes elos da cadeia para discutir soluções estruturais.

Vivian Sueiro, da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), afirmou que os dados apresentados pela ABRAIDI refletem uma realidade percebida também pelo setor hospitalar e reforçou a necessidade de uma atuação conjunta. “Não podemos olhar para esses números apresentados pelo Davi Uemoto e não encontrarmos uma solução comum. Não dá para naturalizar os dados aqui apresentados. Se existe uma distorção de quase R$ 6 bilhões, isso está sendo repassado e o sistema como um todo está ficando mais caro pela ineficiência”, destacou. Para ela, a responsabilidade pela solução não pode recair apenas sobre a distribuição. “Precisamos colocar uma lupa em tudo isso e resolver de forma coletiva”, afirmou.

Filipe Venturini, do Instituto Ética Saúde, também destacou que o problema é evidente e que o fornecedor acaba pressionado entre hospitais e operadoras, muitas vezes sem espaço efetivo para diálogo e resolução. “O fornecedor fica comprimido e esse sufocamento precisa deixar de existir. Quem está disposto a ser leal à cadeia de valor em saúde, no final das contas, está sendo leal ao paciente”, pontuou. Ele reforçou ainda que ética e transparência dependem da responsabilidade compartilhada entre todos os agentes envolvidos. “Para que seja ético, todos que sabem o seu papel nessa cadeia precisam encontrar soluções para problemas que são patentes. Todos nós somos pacientes e usamos ou iremos usar, em algum momento da vida, um dispositivo médico”, completou.

Encerrando o debate, Davi Uemoto trouxe uma reflexão sobre os efeitos da verticalização setorial e os riscos que a alta concentração de mercado pode gerar para a livre concorrência e para a qualidade da assistência ao paciente. Segundo ele, uma cadeia de valor que historicamente era mais horizontal passa a enfrentar conflitos de interesse quando há concentração excessiva de poder em um dos lados da relação. “A alta concentração gera falta de concorrência e cria um poder extremo de um dos lados. Sem freios e contrapesos, essa estrutura acaba subjugando os demais participantes da cadeia”, explicou.

Davi alertou que, quando quem paga também controla integralmente a escolha dos materiais, o critério econômico pode se sobrepor à qualidade assistencial e à incorporação de novas tecnologias. “Aquele que paga não pode escolher o material apenas pelo custo. Quando controla tudo, ele paga pelo que escolhe e não necessariamente pelo que é melhor em termos de tecnologia para o paciente”, afirmou. Ao final, ele reforçou que a principal pergunta que deve orientar todas as decisões do setor precisa ser: o paciente está sendo bem assistido? “Esse questionamento sempre precisamos fazer, garantindo a sustentabilidade do setor, a livre concorrência e parâmetros objetivos com compliance, análises e critérios claros”, concluiu. O diretor executivo propôs, no encerramento, uma compra ética sustentável (CES) com base em qualidade do produto, excelência no serviço e comercialização com integridade.  

Assista aqui: https://www.youtube.com/watch?v=6wG732MQTIg
Baixe o anuário ABRAIDI 2026: https://abraidi.com.br/informe-se-anuarios-abraidi/#2026

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