A ABRAIDI (Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde) promoveu nos dias 5 e 6 de agosto, na Amcham, em São Paulo, o TecMed Brasil 2026, primeiro congresso nacional dedicado à construção de uma agenda estratégica para o setor de tecnologia médica. Representantes da indústria, distribuidores, hospitais, operadoras de saúde, entidades reguladoras, gestores públicos, especialistas e lideranças do ecossistema da saúde discutiram caminhos para ampliar a inovação, o acesso às tecnologias e a sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro.
Na abertura do evento, em 5 de agosto, o presidente da ABRAIDI, Ronaldo Sampaio, destacou que o congresso congrega todos os elos da cadeia de dispositivos médicos. “Atuamos em toda a jornada dos dispositivos médicos até a entrega da tecnologia e da saúde aos pacientes. Nossos associados participam de todo esse processo”, afirmou. Representando a ANVISA, Vivian de Morais ressaltou a importância do diálogo sobre regulação, pesquisas clínicas, reliance e incorporação de novas tecnologias ao SUS. Também participaram da mesa de abertura Francisco Balestrin, presidente do SindHosp; Sérgio Rocha, presidente do IES; e o diretor técnico da ABRAIDI, Sérgio Madeira.
A palestra magna foi ministrada por Lisa Voronkova, CEO da Ova Solutions (EUA) e autora do best-seller Hardware Bible: Build a Medical Device from Scratch. A especialista apresentou os desafios do desenvolvimento de dispositivos médicos, ressaltando que transformar uma necessidade clínica em uma solução segura pode levar até dez anos. “Todo dispositivo que falhou passou nos testes”, relatou, defendendo que a inovação só gera valor quando consegue chegar efetivamente aos pacientes.
Ao longo do dia, o painel “Incorporação, acesso e geração de valor” promoveu debates sobre sustentabilidade do SUS, incorporação tecnológica e desenvolvimento de dispositivos médicos. Especialistas destacaram a necessidade de fortalecer a indústria nacional da saúde, ampliar a previsibilidade dos investimentos públicos e integrar inovação, acesso e geração de valor. Também foram discutidos os desafios regulatórios, econômicos e técnicos envolvidos na trajetória dos dispositivos médicos, desde sua concepção até a incorporação pelo Sistema Único de Saúde, além da eficiência e mercado.
Entre os destaques esteve a temática sobre sustentabilidade econômica do SUS, que reuniu representantes do Ministério da Saúde, da OPAS e especialistas em economia da saúde para discutir estratégias de financiamento, recomposição dos pagamentos públicos e modernização da assistência. Outro debate abordou o ciclo de vida dos dispositivos médicos e a importância de criar um ambiente favorável à inovação para tornar o SUS mais eficiente, sustentável e preparado para os desafios futuros. O evento também contou com a participação do deputado federal Pedro Westphalen (PP-RS), que discutiu os desafios da incorporação de tecnologias em saúde e o papel da pesquisa clínica para ampliar o acesso da população às inovações.
Paralelamente, o Seminário Internacional de Dispositivos Médicos ANVISA e ABRAIDI reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir harmonização regulatória e cooperação entre agências. O painel sobre Reliance apresentou a experiência da União Europeia na construção de um sistema regulatório harmonizado e destacou as oportunidades de aprofundar a colaboração entre Brasil e Europa. A programação também incluiu a palestra de Amit Khanolkar, da Johnson & Johnson Innovative Medicine, sobre produtos combinados, abordando aspectos regulatórios, técnicos e de qualidade durante todo o ciclo de vida dessas tecnologias.
Encerrando a programação do primeiro dia, especialistas debateram o papel estratégico da rotulagem dos dispositivos médicos para a segurança dos pacientes. Nancy Mesas destacou que as informações presentes na rotulagem são resultado do gerenciamento de riscos realizado desde o desenvolvimento do produto. Clareana Gomes apresentou reflexões sobre os desafios da convergência regulatória entre as exigências internacionais e as normas brasileiras, enquanto Erick Parize, da ANVISA, reforçou que falhas de informação podem representar riscos importantes para a saúde e que o gerenciamento de riscos deve acompanhar todo o desenvolvimento do dispositivo médico.
O TecMed Brasil 2026 teve o patrocínio de Fundação AO, CML Grupo, Intuitive, J&J MedTech Brasil, MSC MED P&F, Surgical Mapp e VIMAN Sistemas e o apoio de ABIIS, ANAHP, CBEXs, CBDL, IES, Integra Meeting, RAPS e Visite São Paulo Convention Bureau.






























































































































































