Encontro sobre inovação e cirurgia robótica é realizado em São Paulo.

A inovação e os avanços na cirurgia robótica estiveram no centro das discussões do encontro promovido pela Strattner, em parceria com a Intuitive, realizado nos dias 13 e 14 de agosto, no Hotel Wyndham, em São Paulo. A programação reuniu profissionais e especialistas para debates científicos, troca de experiências e capacitação relacionados ao uso de tecnologias robóticas na medicina.

O diretor técnico da ABRAIDI, Sérgio Madeira, e o diretor executivo da entidade, Davi Uemoto, participaram do encontro, que integra uma agenda de iniciativas voltadas ao desenvolvimento e à disseminação da cirurgia robótica no Brasil. Entre os temas abordados estiveram inovação, evolução tecnológica e os impactos das novas ferramentas sobre a prática médica e a experiência dos pacientes.

Para Sérgio Madeira, a discussão sobre tecnologias em saúde precisa avançar para incorporar de forma mais estruturada a perspectiva de quem vivencia diretamente os tratamentos. “Quando uma tecnologia médica é avaliada para incorporação ao SUS ou à saúde suplementar, os dossiês são robustos: custo-efetividade, desfechos clínicos, segurança. O que quase sempre falta é a voz de quem viveu a experiência, o paciente”, afirma.

Segundo o diretor técnico, mais de 200 mil pessoas já passaram por cirurgias robóticas no Brasil, em especialidades como urologia, ginecologia, cirurgia torácica e cirurgia digestiva. Apesar da existência de ampla literatura científica sobre os benefícios da tecnologia para médicos, hospitais e indicadores clínicos, Madeira chama atenção para a ausência de espaços estruturados para que os próprios pacientes relatem os impactos do procedimento em aspectos como dor, recuperação e qualidade de vida.

A partir dessa reflexão, o diretor técnico propõe a criação de um movimento que possa, posteriormente, dar origem a uma entidade sem fins lucrativos dedicada à cidadania e à saúde pública. A iniciativa teria como objetivo reunir voluntariamente pacientes que passaram por cirurgias robóticas, independentemente da doença de base, formando uma base de experiências que, com rigorosos mecanismos de proteção de dados e governança, poderia contribuir para processos de avaliação de tecnologias em saúde, inclusive consultas públicas da CONITEC.

“A matemática já favorece o projeto: mesmo que só 20% aceitem se cadastrar, e 5% destes atendam a um convite específico, já teríamos uma base robusta de relatos reais, algo hoje inexistente na avaliação de tecnologias em saúde no país”, destaca Madeira.

Para ele, a proposta não teria como objetivo oferecer benefício individual aos participantes, mas criar uma ferramenta de participação social. “O ganho é coletivo: uma sociedade mais solidária, em que quem já passou pela experiência ajuda a informar decisões de quem vai passar por ela amanhã”, ressalta. Madeira também defende que uma iniciativa dessa natureza seja construída sob princípios rigorosos de governança, com proteção de dados pessoais desde sua concepção, consentimento livre e esclarecido, financiamento plural e independente e gestão por instituições de reconhecida idoneidade acadêmica e científica.

A participação da ABRAIDI no encontro reforça o compromisso da entidade com o debate sobre inovação, incorporação tecnológica e sustentabilidade do sistema de saúde, ampliando a discussão para além da tecnologia em si e contemplando também seus impactos sobre profissionais, instituições e, principalmente, pacientes.

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